quinta-feira, 26 de março de 2009

A oportunidade

E mais uma vez ele vinha caminhando, em seus passos firmes, coração fechado como sempre. Fora do tempo que o chamavam, não tinha quem o agradasse, quem fosse seu amigo.Talvez por isso caminhava todo dia sozinho; como se fosse uma sentença, era necessário caminhar.

Ele era o mais solitário que eu já havia conhecido, mas isso não significava isolamento; conhecido da cidade, cumprimentava todos em sua peregrinação diária. O horário de sua caminhada era sempre o mesmo havia dez anos, a cidade se orgulhava de ter um morador tão sistemático. Era alvo de campanhas políticas e esportivas. Não era fácil fazer as coisas com o garoto, seu sorriso era desconhecido, e a única coisa que ficava marcante era aquele rosto cinza e sério, mas como tudo que há naquela cidade, o que é antigo, é bom.

Já se passava das 8 da manhã e o ônibus ainda não havia passado, e eu não era o único a esperar o transporte. Ele estava ao meu lado; como sempre, irredutível quanto à sua postura. Será que ele vai andar de ônibus? Eu pensava.Tinha que avisar à cidade. Um momento histórico. Tudo vai mudar. Mudança.

E veio ele, através da neblina já fraca da manhã, aquele vermelho berrante.

- Consegue ler o número? – perguntou-me o garoto. Nervosismo, o que será que vai acontecer.

-Sim, é o 555.

-Ótimo. É esse mesmo.

Coração palpitando. Coração na boca. Momento Histórico. Mudança, até que enfim.

Piscando farol, braços para fora, gesto com a mão , buzina.

E a mudança não parou para abrir as portas, foi embora, cheia da rotina.

segunda-feira, 2 de março de 2009

A Roseira

No abrir dos olhos da manhã, o menino desperta, e como de costume vai a janela assistir as carruagens, as moças, as flores e os pássaros. Porém, em um dia nublado, o menino já acordado vai a janela, não compreende o que estava diante de seus olhos, já não via mais as carruagens, nem as moças, nem as flores e os pássaros, sua decepção foi tão profunda que de imediato o menino que nunca saia de casa, foi a praça.
Lá ele via quão sem graça ficavam todas as belezas da manhã ensolarada em outra nublada, a vida lhe parecia se esconder por detrás das nuvens, e o menino foi ficando triste... Triste como tudo ali.
Foi que de repente, passou seus em uma roseira, uma roseira de rosas abertas, ainda molhadas de chuva da noite anterior, então ele pensou: Ora, como pode esta roseira ser tão viva quando todo o resto é morto? E o menino permaneceu a fitar a roseira, interrogativamente.
Ela lhe parecia um pedaço, o rastro dos dias ensolarados presentes em sua memória, lembrou-se do sorriso de sua mãe, mãe solteira, que mesmo entre tantas dificuldades é dona de um sorriso amplo e profundo... A roseira é como sua mãe, ampla e profunda, dona de uma beleza tão contagiante a qual é capaz de alegrar o mais infeliz dos seres.
E de pouco a pouco, o dia triste e nublado, já não era mais tão triste e nublado, a beleza da roseira o havia dominado. E o menino que sairá de casa a fim de encontrar o sol, percebe no céu, por entre uma brecha de nuvens se abrindo, e os raios quentes e dourados sobre ele caindo, o faziam abrir os olhos pro dia, Sorrindo.


Luian Damasceno

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Crise

O blog está em crise, nem começou direito e já não tem mais do que falar.
Culpa nossa; afinal recebemos milhares de informações todos os dias ( ou seriam kilobytes de informações?) e não processamos nada.
O mundo está em crise, os países estão em crise, os megaempresários estão em crise; todos estão perdendo rios de dinheiro, e nós estamos aqui, no nosso belo país, repleto de belas mulheres e futebol todo domingo.
Será que isso vai mudar?
Tomara que não. Enquanto o Obama tenta salvar o mundo nós estamos em pleno carnaval, e o brasileiro não esta nem aí pra crise. Salvo que agora a culpa de tudo que acontece de errado é a crise, nós não estamos nem aí.
Que bom, porque é um assunto bem chato...

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Olhares

A globalização tá foda!
Já tá até tendo Intifada em Juiz de Fora


foto : henriqueles arte : Aleluian

Pequeno Poema pré-adolescente revolucionário

No carrosel dou voltas,
voltas iguais,
monótonas
Prefiro dar voltas à pé,
voltas tortas.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Segredo

Nas ruas que eu andei plantei flores do futuro
Atravessei os muros que se ergueram no caminho
Quantas vezes sozinho encontrei minha companhia
No bairro do destino, na esquina do dia

O trevo da noite, paranóia delirante...
Loucura entorpecente o brilho do diamante
e a cama aconchegante depois pra te consolar
da solidão seguinte do dia que vai raiar

lagrimas pra chorar
risos para sorrir
sonhos para sonhar
metas para seguir

com coragem nossa viajem ao passado
pra gente entender o presente
então poder andar pra frente
com a consciência ao lado

pois do mundo louco eu não quero pouco
não me contento com o troco
mas as vezes me sinto tão oco
que o eco ecoa versos dentro de mim...

e o abismo do eu na historia escreveu
um fim... Sim. É isso, meu compromisso
eu nunca fui omisso e não vai ser agora que eu vou ser
com meu ser, como ter, o que eu acabo de dizer

sobre o segredo do medo que te impede de voar...


Luian Damasceno

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

20 Novembro, Dia da Consciência Negra

20 de Novembro de 2008

Dia da Consciência Negra.

120 anos de abolição da escravidão.

83% dos negros vivem abaixo da linha da pobreza.

É preciso dizer algo mais?
O que VOCÊ pode fazer?